Uma situação relativamente comum entre pacientes com glaucoma é acreditar que o tratamento pode ser interrompido porque a visão continua boa.
Afinal, se não existe dor, embaçamento ou outro desconforto, por que utilizar medicamentos diariamente?
A resposta está na maneira como o glaucoma evolui.
O tratamento controla uma doença que pode não apresentar sintomas
Na maioria dos casos, o glaucoma de ângulo aberto progride lentamente e sem sinais perceptíveis nas fases iniciais.
Os colírios prescritos geralmente têm a função de reduzir a pressão intraocular, diminuindo o risco de novos danos ao nervo óptico.
Isso significa que a pessoa pode estar enxergando bem justamente porque a doença está sendo acompanhada e controlada.
O que acontece quando o colírio é interrompido?
A interrupção sem orientação médica pode permitir que a pressão intraocular volte a subir, aumentando o risco de progressão da doença.
O problema é que essa elevação nem sempre provoca sintomas.
Por isso, o paciente pode acreditar que está tudo bem enquanto ocorrem alterações que comprometem sua saúde visual.
E quando o colírio provoca desconforto?
Ardência, vermelhidão, irritação e outras reações podem ocorrer com determinados medicamentos.
Nessas situações, o ideal é conversar com o oftalmologista.
Dependendo do caso, pode ser possível ajustar o tratamento, substituir o medicamento ou considerar alternativas como procedimentos a laser e cirurgias.
O acompanhamento continua necessário?
Sim. Mesmo com o uso correto dos medicamentos, são necessárias avaliações periódicas para verificar se o tratamento está atingindo os objetivos estabelecidos.
No glaucoma, enxergar bem não significa necessariamente que a doença desapareceu.
O acompanhamento e a continuidade do tratamento são fundamentais para preservar a visão.
Dr. Bruno Konno | Oftalmologia
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